sábado, 25 de maio de 2013

Alguns dias atrás, publiquei em meu perfil de uma rede social a seguinte postagem: "Há pessoas que podem bater no peito e dizer: EU SOU BURRO!!!! É triste, mas é real." Algumas pessoas se espantaram. Outras concordaram. Porém, o que mais chamou minha atenção foi o uso de uma reflexão de Paulo Freire acerca do saber das pessoas para refutar minha colocação: "Não há saber maior ou menor. Há saberes diferentes."
Eu reconheço minha insignificância intelectual diante do grande educador e filósofo recifense que traçou sua brilhante trajetória pelas veredas da pedagogia. Entretanto, o exercício de análise e de reflexão sobre as ideais alheias também nos torna indivíduos críticos, como tanto almeja Freire. Ninguém deve aceitar as ideias de terceiros por modismo ou sem analisá-las. Pois bem. Convido os caríssimos leitores desse blog para discutirmos sobre isso.
 Considerando pessoas que vivem em contextos ou realidades diferentes, a reflexão Freireana é absolutamente indiscutível. Não há como comparar os saberes que um médico, por exemplo, adquiriu com o conhecimento do qual um advogado apropriou-se, assim como traçar um paralelo entre o conhecimento de um pescador com o de um engenheiro . São áreas distintas. Ninguém, em sua sã consciência, vai contratar um advogado para realizar uma cirurgia e nem um pescador para fazer a planta baixa de um imóvel. Dessa forma, cada saber referente aos profissionais supracitados tem sua relevância, sua importância e não podemos fazer juízo de valor através de uma comparação simples entre eles. Além disso, o conhecimento adquirido pelas experiências da vida não é menos importante do que os conhecimentos acadêmicos.
Contudo, imagine a seguinte situação: um professor, numa sala de aula com quarenta alunos, vai ensinar a esses indivíduos a somar um meio mais um terço (1/2 + 1/3). Com base na experiência de quase treze anos de sala de aula, posso afirmar que uma parte desses indivíduos aprenderão quase que instantaneamente; outra parte terá um pouco de dificuldade, mas também assimilará o conteúdo; outra parcela terá muita dificuldade e somente aqueles que se esforçarem para superar tal problema, conseguirão aprender; outros, ainda, não conseguirão. E, se levarmos em conta que o professor empregou os mesmos métodos para todos, fica claro que há pessoas que possuem déficit cognitivo.
O que torna essa opinião diferente da opinião de Paulo Freire é a prática de mais de uma década de sala de aula. Eu gostaria muito de ver o grande Paulo (hoje descansando na eternidade) lecionando numa escola pública como o João Guió, em Arez-RN, pelo menos durante um bimestre. E acreditem em mim: isso não é uma falácia ou ideia perniciosa. Isso é um desejo sincero. Porque só assim, nós teríamos a oportunidade empírica de checar se aqueles métodos produziriam, de fato, algum resultado positivo. Seria a chance de usar todo o arsenal teórico apresentado por Freire no cotidiano escolar.


Um abraço


sexta-feira, 10 de maio de 2013

VOCÊ QUER, PRECISA OU SERIA BOM APRENDER?

Um colega professor de Inglês estava ministrando sua aula normalmente. Em meio às suas tentativas infrutíferas de fazer-se entender pela turma, ele foi interpelado por uma aluna em cujo semblante qualquer pessoa seria capaz de perceber traços de resignação e desânimo. A menina levantou o seguinte questionamento:
- Professor, eu estudo Inglês desde o sexto ano do ensino fundamental e não consegui aprender nada. Por quê?
O professor, com muita presença de espírito, respondeu lançando mão de uma pergunta:
- Caríssima aluna, você quer, precisa ou seria bom aprender Inglês?
- Eu quero! Isso é óbvio!
Diante dessa resposta veemente e impetuosa, o professor continuou:
- E quantas palavras você conhece em Inglês? Pode ser uma estimativa.
- Umas vinte...
- Bem - arrazoou o professor - partindo do pressuposto teórico de que são necessárias cerca de três mil palavras para alguém comunicar-se em Inglês sem grandes problemas, você precisaria viver em torno de mil e quinhentos anos. Isso porque você consegue aprender palavras na incrível velocidade de duas palavras por ano! Dessa forma, você quer realmente aprender?
A menina, em função de uma resposta tão absolutamente incisiva e factual, não teve argumentos para continuar a discussão.
- Aprender algo - insistiu o professor - exige invariavelmente o querer. Quando alguém quer realmente aprender uma língua, tocar um instrumento ou andar de bicicleta, essas tarefas tronam-se mais simples à proporção que o desejo e a vontade de realizá-las aumentam de verdade. Se não quer, o aprendizado tende a ser algo improvável para não dizer impossível.
Depois disso, a menina mudou drasticamente sua maneira de se relacionar com a língua inglesa. Há relatos de que hoje ela consegue aprender quatro palavras por ano. Isso já é um grande avanço!

Um abraço